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domingo, 17 de agosto de 2008

A herança de Arondon


Meu nome é Arondon. Venho de uma linhagem de guerreiros bárbaros. Sou descendente dos fundadores de Sales, a cidade a sudeste da Muralha Branca. Dizem as lendas antigas que não só Anerás, mas todo o continente já foi inundado por uma grande onda vinda do Mar Oceano. Dizem que essa grande onda varreu todas as civilizações aqui existentes deixando um número pequeno de sobreviventes nas regiões mais altas. Esses povos, após as águas baixarem, desceram para as ruínas das antigas cidades a fim de salvar, ou pilhar, o que restou do desastre.
Essa onda, dizem, foi por causa do fogo que veio do céu e caiu no grande Mar Oceano há mais ou menos dois mil e oitocentos anos. Os astrônomos dão a esse fogo do céu o estranho nome de meteoro. Por isso nós chamamos nossa era atual de Era do Meteoro. O povo supersticioso diz que essa história se passou graças à insatisfação dos deuses com a conduta dos homens no mundo, mas eu imagino que o motivo não tenha sido tão divino.
Desde então, a região foi povoada novamente, e continua sendo. Sales foi a contribuição de meus ancestrais para a nova era. Nosso povo, sempre nômade e guerreiro, após o acontecimento resolveu se apossar da região e estabelecer um território para as famílias do primeiro clã. Outros clãs vieram depois se instalar, formando uma miscigenação que hoje caracteriza nossa gente. A região prosperou, graças à pesca marítima e à caça do cervo. Podemos dizer, na verdade, que somos agora os nômades do mar, já que o espírito errante do nosso povo não descansou e muitos homens foram para o mar, descobrir e explorar. Os salesianos são pioneiros na navegação e na pesca, além do comércio com outros reinos abaixo de Anerás.
Até agora descrevi os passos de minhas origens, mas o que importa mesmo é a lenda que cerca o surgimento do nosso povo. Segundo contam os sábios, em uma história oral que vem sendo transmitida para todas as gerações, os primeiros ancestrais nômades, vestidos em peles de animais e armados apenas com espadas e lanças, enfrentaram uma força poderosa para poderem se firmar no território onde hoje é a cidade de Sales. Diz a lenda que monstros ferozes e criaturas das trevas guerrearam sob o domínio de um demônio, interessado na região, portadora de grande fonte de riqueza. Durante muitos anos, após a derrota do inimigo do reino dos mortos, meu povo continuou treinando homens e mulheres para o dia em que ele retornaria, e eu, um descendente direto do primeiro clã a se instalar em Sales, detenho a espada que, segundo a tradição oral, transpassou o infeliz demônio e o mandou de volta para seu criador.
Isso significa que sou, no momento, o responsável direto pela segurança da nossa cidade. Meu treinamento me foi passado desde o tempo de meu avô, e o conhecimento sobre a espada também, além de todo o conhecimento possível que puderam guardar sobre o Inimigo até hoje.
Nunca me ofereci para guardar as muralhas da cidade, nem para me tornar general de exército, não por falta de oferta, mas porque decidi me resguardar para o momento que se aproxima. É de crucial importância que eu esteja preparado. Afinal, como no princípio, meu ancestral, que cravou a espada no maldito demônio, nos ensinou a prever o ressurgimento do Inimigo, o deus Bhaal, e seus tentáculos. “Atenção ao mundo” é o lema que estampa a insígnia de nosso clã. E é por isso que hoje sei que essa divindade está voltando e trazendo consigo sua horda de infelizes serviçais. E meu clã estará preparado até os ossos para o esperado momento, afinal, não posso decepcionar meus ancestrais e pelo que eles morreram!
Meu nome é Arondon e minha hora de morte está chegando.
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6 comentários:

Anônimo disse...

Há muito não postas,
aleluia postastes,
que o bramido dos mares seja teu semblante e que a espada te guie pela mais profunda catacumba.
Legal sua história.
Até.
Anonimousz.

Leronir Absidian disse...

Adorei o modo como o personagem narra a hist´ria, ficou muito original, acho que devias continuar postando contos.
Leronir Absidian

Orfanik disse...

continuarei sim, Leronir...

obrigado.

Walter Koyama disse...

Meu grande amigo,

Ainda bem que você está produzindo. Estou gostando muito dos seus contos.

De certa forma, toda vez que leio, mato saudades de nossas conversas.

Um grande abraço

Duda Falcão disse...

Olá, Orfanik! Faz tempo que não passo por aqui! O teu texto como sempre continua muito bom.
Vim para deixar um recado pra ti. A primeira temporda de Hylana nas Terras de Lhu terminou. Em dezembro começará uma nova história desenvolvida no mesmo cenário da heroína, mas sem a presença dela! Quando puder dê uma passada por lá para ver as novidades! Um abraço e sucesso!

Roberlandio A. Pinheiro disse...

Olá Orfanik,

Muito bom o novo conto. E, percebi que temo uma personagem em comum: o Grande Mar Oceano.

Gde abraço.

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