ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Os homens alados

Voar nunca foi privilégio dos homens. Um antigo necromante, que conhecia profundamente os poderes das trevas, seduziu uma pequena tribo nômade no passado, oferecendo um reino se servissem ao Mal. Esses nômades originaram-se ao sul de Anerás, vivendo entre os reinos, comprando e vendendo. Andando de cidade em cidade, com seu comboio de carroças e animais, negociavam armas e armaduras, alimentos, tecidos finos, poções, ouro, jóias e tudo o mais que caísse em suas mãos. Usavam sempre roupas feitas de tecido colorido, as mulheres sempre com muitos lenços finos e cheios de cores, saias longas, além de jóias. Os habitantes das cidades os chamavam de miiten, que no sul significa “povo caminhante”, e lhes davam a fama de gente de pouca confiança. Diziam que quando os miiten se avizinhavam, as coisas começavam a desaparecer misteriosamente durante a noite.

Pois viviam assim, esses nômades, à margem do mundo dos homens, sempre discriminados e desprezados. Mas sempre felizes em sua própria sociedade. E uma coisa era certa: quem ousasse prejudicar um miiten nunca mais era visto novamente.

Diante da oferta do poderoso feiticeiro negro, os miiten, que tinham sido aprisionados, se viram obrigados a aceitar o acordo. Tal acordo, como já foi explanado, consistia em servidão em troca de um grande reino no sul. Esse acontecimento se passou cerca de 150 anos antes dos dias atuais. Hoje eles são numerosos, temíveis em seus poderes e impiedosos com quem cruza seu caminho. Entretanto, nenhum reino lhes fora dado até então.

Os miiten não sabiam que o feiticeiro, na época, faria uso de uma maldição para manter o acordo. Deformou a tribo nômade, transformando-os em homens alados. A mudança era tão grotesca que os miiten sentiram vergonha e arrependimento. As mulheres e homens da tribo eram belos e altivos e se orgulhavam de manter uma beleza que todos admiravam, apesar da má fama. As mulheres nunca foram afetadas pelo poder das trevas, mantendo suas características humanas. Mas o necromante descobriu que elas, ainda assim, podiam carregar em seu ventre, novos monstrinhos machos. Todo bebê que nascia menina era aprisionado, para servirem como reprodutoras, ou assassinado, e seus pequeninos corpos eram jogados como alimento aos mortos-vivos. Os bebês que nasciam meninos eram mantidos vivos e em poucos meses já exibiam sinais de monstruosidade. Primeiro vinham pele e cabelos roxos, depois as unhas e em seguida as asas. Os olhos brancos podiam ser vistos logo no nascimento.

Os miiten agora eram horríveis seres com grandes asas membranosas, semelhantes às de morcego, sua pele e cabelos tinham adquirido um tom arroxeado escuro e os olhos eram inteiramente brancos. Tinham unhas que mais pareciam garras, presas pontiagudas e possuíam força fora do comum para os homens normais.

Daí em diante “miiten” começou a ser usado para definir tanto a extinta tribo nômade, quanto a horda de monstros voadores, servidores da divindade maligna. A palavra havia se tornado sinônimo de terror e morte. Um ataque dos miiten costumava devastar as aldeias e povoados, que eram saqueados em seguida. As mulheres eram seqüestradas para servirem de reprodutoras aos miiten.

Como todas as mulheres morriam durante o parto, os miiten eram obrigados a seqüestrar mulheres periodicamente, para manter viva a antiga linhagem nômade, daí o motivo de tantos saques e pilhagens. Graças à sua principal habilidade, o vôo, os miiten eram capazes de cruzar longas distâncias em poucos dias, sempre atacando em diversos pontos diferentes numa única semana.

Apesar de presos às forças das trevas, e mesmo atuando sob servidão, os miiten fizeram entre si um juramento de vingança contra o feiticeiro negro. E a cada geração de novos monstros, esse juramento era passado de pai para filho, de avô para neto, de irmão para irmão. E, involuntariamente, buscando saciar suas necessidades, continuaram espalhando o terror entre as estradas de Anerás.

.

..

...

....

3 comentários:

Juliana T.P. POE disse...

Construí uma cabana, pequena feita de feno e troncos. Ela fica numa montanha de difícil acesso. AHH esquecí de dizer que essa montanha fica em Anerás. De lá posso contemplar coisas maravilhosas e coisas horrendas. De vez em quando um amigo que atende por vários nomes e nunca me mostra sua face senta ao meu lado. Geralemente nessas noites ele costuma me contar coisas sobre o lugar. Sua terra Natal, seu mundo. Tomamos chá ou uma taça de vinho tinto. Nossa amizade fica mais forte e minha admiração por ele fica cada vez maior...

Adivinha quem é?

Sua sempre fã e fiel observadora de Anéras

Juliana T.P.

Duda Falcão disse...

Olá, Ofanik! Fiquei fã dos miiten, são perfeitos para histórias de terror. Fiquei curioso pra saber mais sobre o necromante, gosto muito desses personagens.
Um abraço!

Nômade Solitário disse...

Adorei os personagens desse conto, principalmente os miitens. Parabéns mesmo.

Tem algum projeto de trabsformar Anerás em um cenário de RPG??

Pesquisar em Anerás