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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Claridade - A história de Calsta – Parte 2

Calsta abriu os olhos e enxergou escuridão e riscos de luz. A madeira do assoalho rangia acima dela e poeira caía em seu rosto, enquanto as pessoas lá em cima andavam de um lado a outro.

— Quem são vocês? — gritou ela, apavorada em encontrar suas mãos acorrentadas. — Onde estou?

Bateu contra o assoalho que rangia sobre ela, sem sinal de resposta. Percebendo que não queria entrar em desespero, calmamente, pôs-se a analisar a situação. Qualquer um que se encontrasse em um lugar escuro, fechado e com as mãos amarradas se sentiria com medo. Mas certas pessoas, em um dado momento, tendem a procurar respostas ou informações úteis sobre a própria situação. Principalmente pessoas treinadas para tal propósito. Ela olhava, mas tudo o que via eram nuances de paredes de pedra e argamassa. Sobre ela se estendia o assoalho, deixando escapar filetes de claridade do ambiente superior. Seu corpo estava coberto com uma roupa em trapos, mas não sentia frio.

Um alçapão se abriu no canto oposto do assoalho. Agora, com a claridade maior, podia ver que se tratava de um porão fechado por todos os lados, tendo como única porta de acesso, o alçapão. Um homem armou uma pequena escada de madeira que usou para descer até onde ela estava. Trazia uma vasilha tampada que preencheu o ambiente com um cheiro de comida. Outro homem desceu em seguida, carregando um porrete.

Chegando até o meio, o primeiro homem deixou no chão a vasilha tampada.

— Bom apetite — disse ele, rindo.

— O que vocês querem de mim? — perguntou Calsta.

O homem apenas voltou para a escada, sem dizer uma única palavra e subiu, fechando atrás de si a porta do alçapão.

Estava de novo imersa naquele misto de escuridão e claridade, prisioneira de alguém que não conhecia. Mas era uma guerreira, e não apenas mais uma guerreira. Era a melhor, preparada para sobreviver a qualquer situação, na guerra ou no cativeiro. Pacientemente começou a planejar sua fuga e aqueles dois idiotas a ajudariam, caso o contrário, seria o fim deles. Resolveu aproveitar o jantar.

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