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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A caverna

A cidade de Sales ficava a muitos dias de viagem a cavalo. Supunha-se que aquela região era afastada de qualquer traço de civilização, entretanto, lá estavam duas enormes estátuas, guardando a entrada da caverna. Uma delas era bem conhecida, era o imortal, um homem que, segundo uma lenda de quase 300 anos, nunca morria. A outra estátua não tinha rosto, estava quebrado e havia desaparecido de perto. Fora isso, parecia-se com a entrada de uma caverna qualquer, escura, úmida e ecoante. Dois homens, parados, observavam a entrada do lugar. Um deles sentou-se em uma pedra, arrancou uma das botas e chacoalhou-a no ar de ponta cabeça, fazendo cair uma pequena pedrinha de seu interior. O outro, ainda contemplando a entrada, chamou a atenção do amigo.

— Sabe que lugar é esse, Frono? — perguntou o que estava de pé.

— Imagino que você saiba. — concluiu o homem que se chamava Frono. — Pode ter algum perigo aí dentro, mas se ele entrou aí mesmo, temos que ir atrás dele e terminar o que viemos fazer.

— Verdade, mas caso você não saiba, estamos diante de uma caverna que parece ter sido importante nos tempos antigos. Talvez até seja a entrada para um labirinto. — comentou Píaro. — A passagem para o subterrâneo talvez seja o covil de algum ser maligno. O que eu pesquisei da história local, enquanto você bebia nas tavernas, me esclarece um bocado sobre o lugar. Dizem os textos antigos que aqui vivia um dragão que invocava espíritos do mundo dos mortos para aterrorizar a vila que existia onde hoje é a cidade.

Píaro era um clérigo, tinha conhecimento de histórias, lendas, gerais e locais de muitos lugares. Era um rapaz robusto, vestindo uma armadura de couro, trabalhada com tiras que prendiam as mangas no colete, e equipado com uma mochila onde trazia coisas úteis para viagem, uma pistola de dois disparos no coldre e uma lança de dois metros. Frono era um homem de armas, era forte, alto e usava uma indumentária de couro ainda mais resistente que a de Píaro. Carregava na cintura uma longa espada e também um arcabuz nas costas, além do saco de pólvora e uma pequena mochila.

A vida dos dois era trabalhar por recompensa, em missões nas quais muitos evitavam até pensar. Pegavam desde resgates de prisioneiros, roubos de artefatos, espionagens até caça a tesouros e perseguição a fugitivos. Era o que acontecia no momento. Foram contratados para prender alguém que tinha se refugiado ali, segundo o relato de seu contratante.

— Acho que você estudou demais — brincou Frono, já amarrando a bota no pé. — Às vezes me esqueço que você passou toda a infância e a juventude naquele mosteiro, universidade, ou sei lá o que!

— Conhecimento nunca é demais. Aliás, esse arcabuz que você carrega só existe porque alguém estudou a criação de armas até chegar a esse tipo de resultado. Isso se chama ciência.

— Sei.

— Olha, se você menospreza o conhecimento, respeite um pouco a história e as lendas, elas podem ter seu quinhão de verdade.

— Essas coisas não me interessam! Eu sou um mercenário — afirmou Frono. — Eu sou caçador de recompensa. Não nasci pra ficar aprendendo sobre o passado ou a ciência.

— Eu sou seu parceiro. Também vivo da mesma profissão que você, se é que posso chamar assim, mas conhecer...

— Nunca é demaaaaais! — completou Frono, se levantando. — Chega, vamos entrar.

— Vamos. — resignou-se Píaro. — Mesmo não sabendo o que podemos encontrar lá dentro.

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