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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Tavernas de Anerás


Tavernas são o começo de inúmeras histórias, uma passagem obrigatória para o mundo fantástico dos aventureiros, heróis e viajantes. Tantos momentos, tantas brigas, tantas mulheres e cervejas. É insuperável o ambiente da taverna. Sombrio, abafado e esfumaçado, com seu proprietário e ajudantes servindo cervejas, vinhos e pratos para os viajantes famintos e desejosos de embriaguez. Muita coisa começa dentro de uma taverna e muita coisa termina lá também.
No distante reino de Anerás, as tavernas têm seu jeito peculiar, cada uma é um mundo escondido na noite. Com suas portas geralmente fechadas para proteger do frio, as tavernas de cada região permitem o florescimento de culturas locais, trazidas por viajantes e comerciantes das estradas e o povoamento de regiões inóspitas.
Tantas cidades temos em Anerás, e nessas cidades, o número de tavernas chega aos milhares. Mesmo na mais simples vila, afastada dos grandes centros, uma taverna faz-se necessária. Não tanto para abrigar uma feliz clientela inebriada de alcool, fétida e briguenta, mas muito mais para oferecer estalagem a viajantes e aventureiros de passagem. Tavernas guardam segredos, ao mesmo tempo em que esses segredos podem se tornar público , tornando o lugar um dos piores lugares para se confidenciar algo a outrem.
Local de assassinatos silenciosos em meio à multidão, punga cuidadosa e precisa, coleta de informações, a taverna é o paraíso do homem perspicaz. Por perspicaz devemos entender ladrões, punguistas, golpistas, e oportunistas de todas as qualidades; homens que criam numa taverna um terreno fértil para os mais variados golpes. E para os desatentos fica um conselho. Não entrem mostrando tudo que têm, como bolsas de moedas e jóias valiosas nos dedos. As tavernas não são famosas por sua amabilidade com pessoas desavisadas.
Não é difícil identificar uma taverna e você acaba tropeçando em uma mais cedo ou mais tarde, não importa o motivo. Em qualquer lugar do mundo, uma taverna, vista de fora, segue sempre um padrão: gritaria, bebedeira e, em alguns casos, cantoria.
Nas areias do famoso Deserto Frio, existe uma cidade chamada Farn-Ra, é onde se encontra uma taverna peculiar com o nome de “Garrafa dos Desejos” que chama atenção pelas suas dançarinas exóticas, que quebram garrafas nas cabeças dos freqüentadores bêbados enquanto eles, em vão, tentam fazer com que suas mãos cheguem a lugares desejados pelo mais santo dos homens. Há ali um prato conhecido nas mais longínquas regiões de Anerás. Esse prato basicamente se constitui de assado de rato do deserto. Quando se fala nesses ratos, deve-se entender um animal grande, capaz de atingir tamanho superior ao de uma lebre, e delicioso quando bem preparado.
Quando a questão é bebida, o vinho de Narca é insuperável. Dizem que forças ocultas controlam a qualidade do vinho capaz de fazer qualquer viajante ficar embriagado com uns poucos tragos. Seu sabor é suave e cheira a perfume feminino. No inverno é excelente!
Viajando através dos Jardins das Montanhas, encontra-se uma cidade onde há uma rainha (assim ela se considera) que usa roupas de homem. Não é uma rainha propriamente dita, ela ocupa o cargo de magistrado-maior, sob a tutela do poder real de Anerás. Pode parecer estranho à primeira vista, mas os homens da cidade só respeitam autoridades masculinas, por acharem que mulher só serve para a vida doméstica. Ainda assim são governados há 30 anos pela mesma mulher que usa roupas masculinas para validar seu poder. Nessa cidade, encontramos uma estalagem confortável e bastante amigável. Claro, isso seria verdade, não fosse o jogo de cartas. Cada freqüentador do local é uma variação da palavra vício, dando a ela vários novos significados. Há aí um ensopado de pato que deixa qualquer um com aquela leve dor amigável de um estomago cheio. Dizem que cozinham o pato misturado às entranhas e ao próprio sangue, com muita água, tornando o sabor inigualável. É um ótimo remédio para ressaca, além de um revigorante fortalecedor.
Na cidade portuária de Sales, no Golfo de Anerás, temos uma taverna onde se contam histórias verídicas de sereias vistas pelos navegantes. Mulheres lindas que encantam homens com o canto e os levam para as profundezas do mar, pondo fim à suas vidas. Nesta cidade, cada estalajadeiro já foi marujo, e cada um fuma e vende uma qualidade de fumo diferente da dos outros estalajadeiros. Alguns são alucinógenos, basta saber procurá-los.
Ao sul da Muralha Branca, na cidade de Betália, há uma tradição que não se deixa de cumprir aos viajantes que ali chegam. Entrou em uma taverna, está sendo vigiado. Cuidado com tudo o que conversar (ou até pensar!), pois estará sob observação de curiosos, oportunistas e prostitutas querendo fazer dinheiro. Cuide bem de seus pertences. Não que essa regra não valha para qualquer outra em qualquer cidade, mas ali ela é convenção.
A oeste de Betália encontra-se uma cidade rica em produção de couro e carne de boi. Ela é chamada de Prínia. Existe ali uma taverna oferecendo um tipo de serviço famoso aos viajantes, tanto homens quanto mulheres. Passou da porta para dentro, sai acompanhado de mulher. Cuidado! Algumas só tencionam limpar os bolsos dos desavisados. Para os viajantes feios, ela é chamada de “A Taverna dos Milagres”. Isto porque até para eles há solução quando atravessam sua soleira. Mas é bastante provável que, no dia seguinte, muitos freqüentadores já estejam sem seus pares. Ainda nessa cidade, temos uma outra taverna que tem, bem no seu centro, um ringue de luta, onde todos podem lutar com quem quiser e onde correm as rodadas de apostas mais volumosas já vistas em uma taverna. Os fazendeiros locais a freqüentam, levando seus empregados para brigarem em troca de dinheiro. Ali se faz o melhor assado de peixe de todo o reino, não sendo comparado a nenhum outro.
Muitos outros lugares cheios de encantos e diversão estão à espera de viajantes no reino de Anerás, mas descrevê-los aqui seria praticamente impossível, portanto esse pequeno roteiro se limitou a umas poucas opções. O viajante deve estar ciente de que toda taverna, da maneira mais acolhedora possível, está de portas abertas das noites mais frias até as mais quentes, esperando um bom cliente a quem possa aliviar do duro fardo da jornada.
Taverna é assim, um lugar paradisíaco, real e, ao mesmo tempo, folclórico. Boa comida, bebidas das mais variadas qualidades, freqüentadores distintos e segurança caprichada. Quem nunca se atreveu a entrar em uma dessas fantásticas estalagens, mesmo que seja na beira de uma estrada, que o faça por conta própria. Se não sair de lá satisfeito ou com uma nova visão de mundo, garantimos a devolução do dinheiro roubado!
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5 comentários:

Matheus disse...

Muito bom!!!!
Bem criativo!!!!
Vou ler todos seus 12 posts
me interessei muito pela historia
eh cara me adiciona nu msn
teteu180491@hotmail.com
flows

D.DARKANGELLUS disse...

Realmente Muito bom-Nota 10//

Rafael disse...

Muito Show!! Criatividade ao extremo...


Essa parte foi muito bem descrita... pena não ser tão valorizada... Digo, geralmente as pessoas não se interessam por esse tipo de coisa, mas eu sei como apreciar uma boa História, gosto de mitologias e rpg. A imaginação é o nosso maior bem

Doutor X disse...

Cara, você escreve realmente muito bem! Tudo é bem descritivo, mas sem cansar. Além disso, é um assunto que eu acho bastante atraente (tavernas, reinos, assassinatos, etc.). Meus parabéns. Confira alguns contos do meu blog também, "Sob uma árvore...". http://doutorx-polemicas.blogspot.com/

Muller disse...

aaaaaah cara..tuas historias são muito massa o/ ja pensou em escrever um livro de contos?

http://tabernadoviking2.blogspot.com/

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