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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Há cinco mil anos

Já faz muito tempo que os deuses deixaram de caminhar na terra. Cinco mil anos se passaram desde que os últimos heróis surgiram para confrontar um semideus tirano. Lammet era seu nome, e sua intenção era derrubar todas as forças superiores e tomar seu lugar. Queria ser um deus completo. Mas esses heróis o impediram. As lendas antigas contam que eram quatro valentes homens determinados a impedir o avanço do semideus. G’kar, Ecze, Vaigon e Ishikore são os nomes contidos nos relatos dos historiadores da época. Essa é a versão contada até hoje sobre um evento que parece ter mudado todo o mundo de então. Eles venceram o mal, não sem pagar um preço altíssimo, e garantiram ao que restou dos povos antigos a chance de recomeçar e tentar dar uma vida nova ao mundo.

Cinco mil anos se passaram desde então, e o mundo não alcançou grandes mudanças. Reinos caíram, povos e raças, como elfos e anões, desapareceram (se é que chegaram a existir), monstros se esconderam nas profundezas, aguardando o momento de retornar. Nada relevante ao progresso das coisas. Entretanto, o momento é de trevas, pois surgiu uma nova ameaça à vida no reino. Ela vem em forma de homem, mas veste a roupa da necromancia e tem poderes concedidos pelas mais poderosas entidades das trevas.

Hoje novos heróis seriam necessários para conter o avanço do mal novamente, mas onde estariam tais homens? Onde vivem aqueles que, em suas mãos, carregam a capacidade de parar o avanço das forças sombrias? Já viajei por vários reinos e agora me encontro aqui, nesta cidade gigantesca que é Narca. Por todos os lugares que passei, nunca encontrei um que se assemelhasse a mim. Mas minha procura não acabou.

Segui muitas pistas e relatos até aqui, pois as histórias são tantas e tão variadas, porém, nem sempre confiáveis. Histórias de pessoas que, como eu, carregam em si alguma chama da antiga magia, algum traço dos antigos poderes que as raças dominavam habilmente nos tempos remotos de nossa história.

Aqui, nesta cidade, encontrei um jovem capaz de ver e fazer coisas extraordinárias em sua mente. Muitos chamam isso de vidência ou adivinhação. Eu, particularmente, preciso constatar para saber a real extensão de suas habilidades.

Meu nome é Iradirios, eu sou um mago e, estudando a arte da magia, consegui aprender muitos encantamentos há séculos perdidos. A energia vital da terra clamou por mim e eu aceitei ser um instrumento dela, a deusa mãe. Mas a magia que consigo canalizar ainda é uma gota d’água diante de um mar de possibilidades.

Enquanto procuro pessoas com habilidades especiais, como eu, dedico parte de meus esforços para aperfeiçoar minha capacidade mágica.

Outras histórias de dez anos atrás, me chegaram aos ouvidos. Certo homem, que apenas com a coragem e um facão, enfrentou uma bruxa dessas redondezas e a derrotou. Muitos mercadores dizem que ele vive no norte, alguns dias depois de cruzar um deserto. É um caso que merece atenção.

Sozinho não consigo chegar muito longe, mas se tiver sorte em organizar um grupo de possíveis aventureiros, hábeis e corajosos, as chances do mal retroceder são maiores.

Ahhh... Se isso se tivesse passado na época dos grandes heróis, magos, seres divinos e guerreiros poderosos, tudo seria mais fácil. Se fôssemos como os antigos povos de cinco mil anos atrás, capazes de manipular magia e forças divinas com tanta facilidade, seríamos imbatíveis. Mas o mal também seria mais poderoso do que agora e também mais astuto.

O hoje nos espera, e, caso ninguém seja capaz de se levantar contra o mal, o amanhã pode não se realizar para ninguém. É a nossa chance de virar o jogo contra o mal, como fizeram nossos antigos heróis, garantindo ao mundo a continuidade e a renovação. Só espero não chegar a ponto de se ter que pagar novamente um alto preço pela vitória.

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2 comentários:

Cíntia disse...

Muito bom este conto!!

Mas como consigo terminar de lê-lo?

Orfanik K. disse...

Cíntia, a seqüência está contida nos contos postados após este...

ainda assim, tenho trabalhado na continuação deste conto em particular...

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